Centro da Qualidade, Segurança e Produtividade

O QSP é uma associação técnico-científica voltada à capacitação de profissionais e ao apoio técnico a organizações nas áreas de Gestão de Riscos, QSMS, Lean Seis Sigma e temas relacionados.

                           
   


Segurança e Saúde no Trabalho

 

Entrevista com Francesco De Cicco

O diretor-executivo do QSP, Francesco De Cicco, concedeu à jornalista Lia Nara Bau, da Revista Proteção, a seguinte entrevista sobre os Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho e sobre a certificação OHSAS 18001.

 

Revista Proteção - Como as empresas devem proceder para serem certificadas em Segurança e Saúde no Trabalho (SST)? Quais são os passos a seguir?

Francesco De Cicco - Antes de mais nada, é importante deixar claro que, para nós do QSP, o que as empresas devem ter como objetivo principal não é sua certificação, mas sim a implementação de um sistema de gestão que forneça um processo estruturado para a organização atingir a melhoria contínua do desempenho da SST. A certificação tem que ser vista como algo complementar à implantação do sistema de gestão - isto é, como um reconhecimento externo feito por um organismo independente (lembrando que a certificação representa um custo adicional considerável e que, por isso mesmo, a decisão de realizá-la precisa ser convenientemente avaliada).

Conforme explicitado na OHSAS 18001, embora melhorias no desempenho da SST devam normalmente ocorrer devido à adoção de uma abordagem sistemática, entende-se que o Sistema de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho é uma ferramenta que permite a uma empresa atingir, e sistematicamente controlar, o nível de desempenho da SST por ela mesma estabelecido. A implementação do Sistema de Gestão da SST, por si só, não resultará, necessariamente, na redução imediata de acidentes e doenças do trabalho.

Entretanto, possuir tal sistema irá auxiliar uma organização a dar confiança às várias partes interessadas (trabalhadores, clientes, fornecedores, acionistas, órgãos do governo, etc.) de que:

  • existe um comprometimento da alta direção da empresa para atender às disposições de sua política e objetivos de SST;

  • é dada maior ênfase à prevenção do que às ações corretivas;

  • podem ser dadas evidências de atuação cuidadosa e de atendimento aos requisitos legais; e

  • o sistema de gestão incorpora o processo de melhoria contínua.

Quanto aos passos a serem seguidos, recomendo a leitura da metodologia criada e aplicada com sucesso pelo QSP em várias empresas. 

Revista Proteção - O que as empresas devem ter para obter a certificação (sistema 5S, por exemplo)?

Francesco De Cicco - Elas devem ter um Sistema de Gestão da SST que atenda completamente aos requisitos na norma OHSAS 18001, que é o padrão mais utilizado no mundo para fins de auditoria interna e de certificação por uma entidade externa. O 5S é uma abordagem básica que ajuda a promover a segurança nos locais de trabalho.

Revista Proteção - Quantas empresas, no Brasil, foram certificadas pelo QSP com a ISO 9001, ISO 14001 e OHSAS 18001?

Francesco De Cicco - O QSP não certifica empresas. Nós as auxiliamos a implantar um sistema de gestão que seja eficaz, isto é, que traga resultados efetivos para a organização em termos de melhoria de seu desempenho em SST. Com freqüência, ajudamos também as empresas que já possuem um sistema de gestão implantado a realizar auditorias internas periódicas, para monitorar a contínua adequação do sistema à OHSAS 18001 e para sugerir medidas que incrementem o desempenho da SST.

Revista Proteção - Qual a importância da certificação em SST e as principais vantagens para empregados e empregadores?

Francesco De Cicco - Conforme está mencionado na própria OHSAS 18001, os benefícios potenciais associados a um eficaz Sistema de Gestão da SST incluem:

  • assegurar aos trabalhadores, clientes, etc. o comprometimento da empresa com uma gestão da SST demonstrável;

  • manter boas relações com os sindicatos de trabalhadores;

  • obter seguro a um custo razoável (principalmente quando o SAT - Seguro de Acidentes do Trabalho - for operado no Brasil de forma mais inteligente!);

  • fortalecer a imagem da organização e sua participação no mercado;

  • aprimorar o controle do custo de acidentes;

  • reduzir acidentes que impliquem em responsabilidade civil;

  • demonstrar atuação cuidadosa e socialmente responsável;

  • facilitar a obtenção de licenças e autorizações;

  • estimular o desenvolvimento e compartilhar soluções de prevenção de acidentes e doenças ocupacionais;

  • melhorar as relações entre a indústria e o governo.

Revista Proteção - Para implantar a OHSAS 18001, a empresa deve já ter implantado a ISO 9001 e a ISO 14001? Quais os critérios de prioridade?

Francesco De Cicco - Não. A OHSAS 18001 pode ser implantada independentemente de a empresa ter ou não um outro sistema. Entretanto, se ela já tiver um sistema de gestão ISO 9001 e/ou ISO 14001, a experiência tem mostrado que a implantação da OHSAS 18001 é consideravelmente mais fácil. Aliás, a crescente tendência nas organizações é unificar tais sistemas (Qualidade + Meio Ambiente + SST). Nós os chamamos de SIGs - Sistemas Integrados de Gestão.

Revista Proteção - Qual a diferença entre a OHSAS 18001 e a BS 8800?

Francesco De Cicco - A OHSAS 18001 é uma norma de requisitos (chamada "Especificação") que é utilizada para auditar e certificar os Sistemas de Gestão da SST. A norma BS 8800 - e a OHSAS 18002 - são documentos que vão muito além da certificação: elas são chamadas "Diretrizes" e fornecem orientações e recomendações voltadas para a implantação eficaz do sistema e para a melhoria do desempenho da SST. Tanto a BS 8800 como a OHSAS 18002 não são utilizadas para fins de auditoria.

Revista Proteção - Após a certificação, como manter o desempenho na área de SST e garantir a melhoria contínua?

Francesco De Cicco - Isso daria para escrever um livro, mas, fundamentalmente, a organização deve seguir as recomendações da BS 8800 e da OHSAS 18002.

Revista Proteção - No site do QSP há uma relação de 235 empresas certificadas OHSAS 18001 no Brasil. Esses dados estão atualizados?

Francesco De Cicco - É difícil garantir a exatidão, pois dependemos bastante das próprias empresas certificadas, as quais estamos sempre incentivando a comunicar ao QSP a conquista da certificação (e a enviar uma cópia do certificado). Por outro lado, mesmo porque não têm nenhuma obrigação conosco, é muito difícil fazer com que os organismos certificadores nos enviem, de forma rotineira, os seus dados individuais sobre as certificações OHSAS 18001 . Devido a tais circunstâncias, creio que é bem provável que esse número (235) seja consideravelmente maior.

Revista Proteção - Existem outras entidades como o QSP que auxiliam na implantação dos sistemas de gestão?

Francesco De Cicco - Sim, há diversos consultores individuais e empresas de consultoria no Brasil que prestam esse serviço. O diferencial do QSP está no pioneirismo de lançar em língua portuguesa e difundir por todo o País as três normas que citamos nesta entrevista, além de criar o primeiro curso de formação e certificação de Auditores de Sistemas de Gestão da SST, juntamente com um processo rigoroso de avaliação dos participantes. Nos últimos dez anos, auxiliamos mais de 100 empresas a implantar as OHSAS 18001, OHSAS 18002 e BS 8800, e treinamos mais de 600 profissionais como auditores. Esses números mostram a liderança do QSP nessa área e o reconhecimento de nosso trabalho pelo mercado.

Revista Proteção - Outros comentários?

Francesco De Cicco - Apesar da certificação ser uma atividade complementar e uma conseqüência da completa adequação da empresa à OHSAS 18001, ela possui uma característica bastante interessante: permite que a "chama" da prevenção permaneça sempre acesa, pois as auditorias de manutenção realizadas normalmente a cada 6 meses pelas certificadoras incentivam a organização a eliminar as eventuais não-conformidades do sistema e a buscar, sob certa "pressão", a melhoria contínua da gestão da SST.

Outro ponto que é importante destacar é que os sistemas de gestão auxiliam enormemente os profissionais de SST a cumprirem sua missão, pois tais sistemas exigem que sejam definidas claramente as responsabilidades da direção e de todos os demais integrantes da empresa, permitindo assim que o SESMT (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho) cumpra seu verdadeiro papel de assessorar a organização nas questões de Segurança e Saúde Ocupacional, e não seja um grupo de meros "apagadores de incêndios", como infelizmente ainda acontece em inúmeras empresas em que tais sistemas não estão implantados.

Por último, recomendo aos leitores estudarem e adotarem em suas empresas, além da OHSAS 18001, as diretrizes propostas na OHSAS 18002 e na BS 8800. Esses três padrões normativos representam o que chamamos de "estado-da-arte da gestão da SST" e podem ser todos adquiridos no QSP.

 

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