Francesco De Cicco
Nasci em 1952 numa
pequena cidade da província de Avellino, ao sul da
Itália. Meu pai, Luigi, chegou ao Brasil quase 20 anos antes, em 1934. Ele trabalhava
com vendas numa indústria de chocolates, apesar de ter se formado maestro
de música num conservatório em Nápoles.
Cheguei ao Brasil com 3 anos de idade. No
ginásio e no científico, estudei em colégios estaduais bastante conceituados
na época. Como muitos jovens de hoje, com 16 anos fui um dos fundadores de um
grupo musical, pois além de gostar muito de música, talvez por influência do
meu pai, e de ser até hoje um admirador do trabalho dos Beatles, eu precisava
também reforçar a minha mesada...
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Com 17 anos, entrei na faculdade, na FAAP -
Fundação Armando Álvares Penteado, e em 1974 me graduei como Engenheiro
Civil. No 3º ano da faculdade, comecei a trabalhar como estagiário, passando
depois a auxiliar técnico da Companhia Estadual de Casas para o Povo, do
Governo do Estado de São Paulo.
Comecei também, durante a faculdade, a me
interessar por cálculo de estruturas, por gostar bastante de matemática. Após a formatura, trabalhei alguns meses nessa área e durante um
ano fui instrutor na FAAP, também nesse tema de cálculo estrutural.
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Fundacentro
Seis meses depois da formatura, em junho de
1975, já naturalizado brasileiro, passei por um teste e fui contratado como
engenheiro da Divisão de Segurança do Trabalho da Fundacentro. Na seqüência,
fiz o curso de especialização de Engenharia de Segurança do Trabalho.
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Fui contratado para desenvolver atividades
principalmente no setor da construção civil. Com 23 anos, coordenei uma
pesquisa que teve grande repercussão, sobre as condições de segurança e
higiene do trabalho na indústria da construção. O relatório desse trabalho
está publicado na Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, editada pela
Fundacentro, do último trimestre de 1975. |

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1976 a 1983 foi o período em que a
Fundacentro mais cresceu e se consolidou. Eu me orgulho de ter participado
ativamente de diversas realizações como, por exemplo: a criação do
Laboratório de Ensaios de Equipamentos de Proteção Individual, que gerenciei
durante 6 anos; o projeto e a implementação do CTN - Centro Técnico Nacional; a criação e instalação das unidades regionais da
instituição; o desenvolvimento do Serviço de Assistência Técnica à Pequena
Empresa, que atendeu em menos de 4 anos mais de 4.000 organizações de pequeno
porte em diversas regiões do Brasil; e a edição de mais de duas dezenas de
publicações na área de Segurança do Trabalho.
ABPA entra em cena
A ABPA - Associação Brasileira para
Prevenção de Acidentes - também foi um marco para mim, pois em 1976 ela
promoveu um curso que modificou tremendamente o meu modo de ver as questões de
Segurança e Saúde Ocupacional.
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A ABPA trouxe naquele ano o especialista chileno
Hernán Enriques Bastias, que ministrou um curso sobre
Engenharia de Prevenção de Perdas. A partir desse curso, o meu interesse pelo
assunto - e do meu padrinho de casamento e parceiro de vários trabalhos,
engº Mario Luiz Fantazzini - foi muito grande. |
Depois de muita investigação, conseguimos
localizar, nos Estados Unidos, o professor Willie Hammer, que foi, a bem da
verdade, o nosso grande mestre na chamada Engenharia de Segurança de Sistemas,
que engloba as diversas tecnologias de Análise e Avaliação de Riscos, hoje famosas em
todo o mundo.
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Livros e cursos |
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Eu e o Mario escrevemos, em
1978, um pequeno livro, editado pela Fundacentro, intitulado "Introdução
à Engenharia de Segurança de Sistemas", que durante muitos anos foi o
material de apoio da disciplina de mesmo nome dos cursos de Engenheiros de
Segurança do Trabalho, e esse livro pode ser considerado ainda hoje bastante
atual (o QSP o relançou em junho de 2003; veja aqui).
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Muitas pessoas, até mesmo alguns renomados
profissionais da área de Engenharia de Segurança, achavam que o que
escrevíamos e ensinávamos era "fantasia", "coisa de
lunáticos". Mas, como falarei mais adiante, foi a Engenharia de Segurança
de Sistemas que me permitiu ter, 12 anos mais tarde, a nítida certeza de que a
integração dos conceitos e atividades relacionadas à Qualidade, ao Meio
Ambiente, à Segurança e Saúde Ocupacional nas empresas seria um dia
inevitável.
Em 1976, coordenei o primeiro curso realizado
diretamente pela Fundacentro para a especialização de Engenheiros de
Segurança do Trabalho. De 1976 a 1986, fui o coordenador de mais de 20 desses
cursos.
Em 1979, fui convidado para ser o gerente, em
âmbito nacional, da Divisão de Segurança do Trabalho da Fundacentro,
cargo que ocupei até 1985, quando sai da entidade por incompatibilidade
de visão e de objetivos com o superintendente da época.
Com aquele curso da ABPA a que me referi, pude ver claramente
que o grande desafio era encontrar um novo caminho para as
questões de prevenção. A busca desse novo caminho foi intensa. A Engenharia de
Segurança de Sistemas me mostrou as ferramentas, tanto técnicas como
gerenciais, para equacionar os problemas relacionados a falhas e a acidentes com
pessoas, equipamentos, processos, produtos e serviços. Através da Engenharia de Segurança de
Sistemas, comecei a ver a importância da Qualidade em termos de prevenção, ou
seja, da prevenção em seu sentido mais amplo.
Currículo próprio
Não encontrei nenhum curso de pós-graduação,
de mestrado ou doutorado, que atendesse às minhas necessidades profissionais. O
jeito foi então montar o meu próprio currículo, que se constituiu em um conjunto de
disciplinas para completar minha formação. Participei de diversos programas de
pós-graduação, ministrados pelo Departamento de Engenharia de Produção da
Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, pela Faculdade de Economia e
Administração, também da USP, e pela Fundação Getúlio Vargas de São
Paulo, além de ter realizado estágios de especialização em Gestão de Riscos
na Inglaterra, Alemanha, Espanha e Itália.
De 1983 a 1986, participei da criação
e coordenação de uma iniciativa pioneira da FAAP: o Núcleo de Estudos sobre
Gerência de Riscos, que desenvolveu diversas atividades e consolidou
definitivamente esse tema no Brasil.
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Em 1986, criei o IBGR - Instituto
Brasileiro de Gerência de Riscos. Felizmente, tive muito sucesso com esse
empreendimento, que despertou o interesse da Mapfre, da Espanha. Depois de várias
tratativas, o IBGR foi incorporado ao Itsemap do Brasil, e eu passei a ser
o diretor geral dessa organização em nosso País. |

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Surge o QSP
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No final de 1990, vendo o movimento pela Qualidade ser
oficializado pelo governo através do PBQP - Programa Brasileiro da Qualidade e
Produtividade, senti que era chegado o momento de pôr em prática uma série de
idéias sobre a integração dos sistemas da Qualidade, Meio Ambiente, Segurança e Saúde no Trabalho. |
Foi assim
que, juntamente com outros 15 profissionais de empresas e universidades, criamos o QSP - Centro da
Qualidade, Segurança e Produtividade para o Brasil e América Latina. Hoje, o
QSP é uma das maiores organizações da região, de disseminação de
informações e conhecimentos e de apoio a empresas na
implantação de Sistemas de Gestão baseados em normas e modelos
internacionais.
Desnecessário falar aqui sobre as inúmeras
realizações e trabalhos pioneiros do Centro. Aos interessados, recomendo
acessar a seção Conheça
o QSP.
Gerenciando riscos
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Desde 1983, a Gestão de Riscos tem sido uma constante
em minha vida pessoal e profissional. Intuitivamente ou de forma estruturada,
procuro pautar as minhas decisões tendo por base os preceitos da GR. Na área
financeira, que tenho estudado e atuado em caráter pessoal, especialmente no
mercado de ações, também aplico os processos de gerenciamento de riscos para
minimizar as possíveis perdas e maximizar os ganhos.
Enfim, da Segurança do Trabalho aos riscos
financeiros, passando pelos negócios familiares e empresariais, a Gestão de
Riscos tem me acompanhado há mais de 25 anos e possibilitado ampliar, de
forma consistente, os meus horizontes. |

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Contatos: qsp@qsp.org.br
e (11) 3704-3200.